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Mar, Métrica e Gestão: Uma Agenda de Indicadores para a Amazônia Azul

Mar, Métrica e Gestão: Uma Agenda de Indicadores para a Amazônia Azul

O que você vai encontrar nesse conteúdo:

Você já ouviu falar da Amazônia Azul?

Esse imenso território marítimo brasileiro, com mais de 5,7 milhões de km², é maior que a própria floresta amazônica continental. Ele guarda riquezas naturais, biodiversidade única, reservas energéticas e abriga cadeias produtivas vitais para o país — da pesca à logística portuária, da biotecnologia à energia renovável. No entanto, a gestão dessa imensidão ainda carece de dados sólidos e indicadores claros.

É nesse contexto que nasce o ensaio Mar, Métrica e Gestão: Uma Agenda de Indicadores para a Amazônia Azul — um texto em construção (working in progress), resultado de minha atuação como professor de Administração no Instituto do Mar (UNIFESP) e pesquisador em negócios sustentáveis. O objetivo central é propor caminhos para a construção de uma agenda de indicadores que possa orientar tanto políticas públicas quanto práticas privadas na zona costeira e marinha brasileira.

Por que falar de indicadores para o mar?

Enquanto o país já reconhece a importância da Amazônia Azul do ponto de vista geopolítico e econômico, o mesmo não se pode dizer em termos de métricas. Não há, por exemplo, um “PIB do mar” oficial consolidado, apesar de estimativas apontarem que as atividades ligadas ao oceano respondem por cerca de 29% do PIB brasileiro. Essa ausência de dados sistematizados enfraquece a capacidade de planejamento, monitoramento e avaliação de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.

No dia 13 de agosto de 2025, participei como palestrante no II Workshop sobre Indicadores do projeto Governança da Amazônia Azul: métodos interdisciplinares de humanidades e ciências naturais, realizado de forma online pelo Microsoft Teams. Em minha apresentação, intitulada Mar, Métrica e Gestão: Uma Agenda de Indicadores para a Amazônia Azul, compartilhei reflexões e propostas sobre como desenvolver e aplicar métricas estratégicas para a gestão sustentável dos recursos marinhos brasileiros. Abordei a importância de integrar indicadores socioeconômicos, ambientais e de governança, alinhados a políticas públicas e a compromissos internacionais, a fim de fortalecer a tomada de decisão e a preservação da nossa costa e oceano. A discussão buscou provocar o diálogo entre pesquisadores, gestores e formuladores de políticas sobre a necessidade urgente de monitoramento e avaliação contínua para transformar a Amazônia Azul em um vetor de desenvolvimento sustentável e inovação.

O que está em debate?

O texto explora quatro grandes dimensões de indicadores:

  • Ambiental: envolvendo desde a qualidade da água e saúde dos ecossistemas até estoques pesqueiros e carbono azul;
  • Socioeconômica: incluindo emprego, renda, inclusão de comunidades tradicionais e infraestrutura costeira;
  • Governança e participação: avaliando transparência, equidade, dados abertos e capacidade institucional;
  • Inovação e Economia Azul: observando startups azuis, investimentos em ciência e adoção de tecnologias limpas.

Essas categorias são inspiradas em instrumentos como o Plano Setorial dos Recursos do Mar (PSRM), o Planejamento Espacial Marinho (PEM), os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e as práticas da União Europeia e da UNCTAD. A proposta é integrar ciência, política e mercado, com um olhar para a justiça social e a inclusão.

Uma agenda participativa, inovadora e justa

Ao longo do texto, defendo que a construção dessa agenda de indicadores deve ser participativa, transdisciplinar e inclusiva. Cito estudos recentes que destacam a importância de envolver comunidades locais, incorporar conhecimentos tradicionais e premiar práticas colaborativas na ciência e na formulação de políticas públicas.

Se quisermos transformar o potencial da Amazônia Azul em realidade sustentável, precisamos de mais do que boas intenções — precisamos de métricas claras, ferramentas de monitoramento e coordenação federativa eficaz.

Acesse o conteúdo completo

Este texto é uma versão preliminar, ainda em desenvolvimento. Sua estrutura está sendo aprimorada com base em novas fontes, dados e debates — inclusive aqueles que emergem nos eventos acadêmicos e de formulação de políticas públicas.

📄 Leia o texto completo e 👉 Comente o working paper aqui 

📽️ Veja também a apresentação em slides

Prof. Alberto Claro

Doutor em Comunicação Social; Professor de Administração da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo; Investidor-anjo em empresas de tecnologia, entretenimento e gastronomia; Diretor de Comunicação (voluntário) da Casa da Esperança de Santos®; Palestrante nacional e internacional na área de Administração, Comunicação e Marketing.

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