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Pesquisa Científica: Guia Prático para Iniciantes (e Não Tão Iniciantes)

Pesquisa Científica: Guia Prático para Iniciantes (e Não Tão Iniciantes)

O que você vai encontrar nesse conteúdo:

A vida acadêmica de professores e professoras, da pessoa que está fazendo mestrado ou doutorado — e mesmo daquela já defendeu sua tese mas segue na trincheira — é povoada de siglas, plataformas, exigências, normas e… dúvidas. Muitas dúvidas.

Então, este conteúdo nasceu inspirado em um conteúdo valioso da Biblioteca da ECA/USP, que vale ser lido na íntegra, mas aqui trago uma releitura crítica, prática e ampliada com links, comentários e orientações para quem precisa colocar a vida acadêmica em ordem (ou começar com o pé direito).

  1. Currículos e Identificadores: a identidade acadêmica começa aqui

🎓 Currículo Lattes (Brasil)

Você pode até não gostar, mas precisa. O Lattes é o principal repositório de currículos acadêmicos no Brasil, exigido em editais de bolsas, concursos, credenciamentos e avaliações da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC), essencial para o desenvolvimento da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) no Brasil. É sua carteira de identidade acadêmica.

Dica: mantenha-o sempre atualizado com publicações, orientações, participações em eventos e prêmios.

Já falei sobre ele aqui e oriento como preencher

🌐 ORCID (Internacional)

O ORCID é um identificador digital global. Ele individualiza sua produção científica (essencial em casos de nomes comuns ou com acentos) e se conecta automaticamente a bases e periódicos. Muitos eventos e revistas internacionais só aceitam submissões com ORCID.

O ORCID é também uma plataforma de currículo, aceita internacionalmente. Se seu artigo tiver um DOI, ele é puxado para seu perfil ORCID automaticamente.

📌 Veja o meu aqui para entender como funciona 

📊 Researcher ID e Scopus Author ID

Criado pela Clarivate (Web of Science), o Researcher ID ajuda a organizar sua produção indexada. Já o Scopus Author ID é gerado automaticamente para autores com artigos indexados na Scopus.

🔍 Google Acadêmico

O Google Scholar permite criar um perfil com suas publicações e gera métricas como número de citações e índice h. É possível usá-las no Lattes (em “citações em outras bases”). Uma vantagem é a visibilidade: seu nome pode aparecer no topo da busca do seu tema de estudo.

Se quiser dar uma olhadinha na minha área de citações está aqui

  1. Bases de Dados: onde encontrar artigos confiáveis

Saber onde buscar informação científica de qualidade é essencial. 

E isso vai além do Google.

Bases comerciais (acesso via universidades – consulte a sua instituição – ou CAPES):

  • Scopus: da Elsevier, oferece dados sobre citações, métricas e análises de autores.
  • Web of Science: base da Clarivate, famosa pelo cálculo do fator de impacto das revistas.

Essas bases são seletivas: só indexam periódicos com critérios rigorosos de avaliação editorial. Uma revista sem periodicidade regular, por exemplo, dificilmente entra.

Bases abertas:

  • SciELO: indexa periódicos da América Latina e Caribe.
  • DOAJ: reúne revistas de acesso aberto do mundo todo.
  • Redalyc: voltada à produção científica latino-americana.
  • Oasisbr: repositório brasileiro com teses, dissertações e artigos.

📌 Dica: consulte também o Portal de Periódicos da CAPES, com acesso remoto para estudantes de instituições públicas e privadas.

Também já indiquei outras fontes de referências para elaborar o seu projeto ou relatório de pesquisa

  1. Métricas de impacto: como a ciência é avaliada?

Na academia, impacto não é medido só por likes ou downloads (embora isso também conte, como veremos abaixo).

📈 Índice h

Reflete quantos artigos de um autor têm pelo menos “h” citações. Ex: índice h = 10 significa que você tem 10 artigos citados 10 vezes cada.

📊 Fator de Impacto

Aplica-se a revistas. Calculado pela média de citações dos artigos publicados nos últimos dois anos. Pode ser consultado na Web of Science.

📡 Altmetrics

As chamadas métricas alternativas medem o impacto social e digital dos artigos: quantas vezes foi mencionado no Twitter (X), em blogs, notícias, YouTube, etc.

  1. Gerenciadores de Referência: organização é meio caminho andado

Sabe aquele desespero de tentar lembrar onde estava “aquele artigo perfeito”?

Evite isso usando um gerenciador de referências.

Os mais recomendados:

Com essas ferramentas, você:

  • Armazena PDFs;
  • Cria pastas temáticas;
  • Faz anotações nos próprios artigos;
  • Gera automaticamente listas de referências nos estilos ABNT, APA, Vancouver, entre outros;
  • Insere citações no Word com um clique.

Eu adoro usar o Mendeley e falei dele por aqui também.

  1. Ética, integridade e originalidade na pesquisa

Aqui não tem negociação: a ética é base da boa ciência.

  1. Visibilidade e redes sociais acadêmicas

🌐 ResearchGate e Academia.edu

Redes sociais acadêmicas para compartilhar artigos, conectar-se com colegas, solicitar cópias de textos e acompanhar citações. Apesar de não serem fontes oficiais de métrica, têm sua utilidade.

👨‍💻 Dica bônus:

Mantenha seus perfis sempre atualizados (ORCID, Google Acadêmico, Lattes). E se puder, crie um site pessoal (como este aqui) ou uma newsletter científica no Substack, para divulgar conhecimento de forma acessível e ética.

Mais do que saber, é preciso navegar com método

A jornada do pesquisador e da pesquisadora exige mais do que boas ideias. 

É preciso dominar ferramentas, plataformas, critérios de qualidade e manter o compromisso com a ética e a transparência.

Mas não precisa ser solitário nem confuso. Bibliotecas universitárias (como a da ECA-USP e do IMar da Unifesp), professores orientadores, canais no YouTube e conteúdos como este estão aí para facilitar esse caminho.

Se você gostou deste guia e quer ir além, acompanhe minhas publicações aqui no site, no Instagram @profalbertoclaro ou me convide para uma palestra ou oficina em sua instituição.

Prof. Alberto Claro

Doutor em Comunicação Social; Professor de Administração da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo; Investidor-anjo em empresas de tecnologia, entretenimento e gastronomia; Diretor de Comunicação (voluntário) da Casa da Esperança de Santos®; Palestrante nacional e internacional na área de Administração, Comunicação e Marketing.

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